Nada mais óbvio do que dizer que o ser humano se comunica através da linguagem. As linguagens são várias, e se complementam. A nossa fala é linguagem. Publicidade é linguagem. Até mesmo nosso corpo se expressa através de uma linguagem própria: os gestos, as feições, o olhar.
As relações entre saber e poder não devem ser novidade para nós. Trata-se de uma relação verdadeira, porque vivemos na era do conhecimento, como sempre afirma o prof. Alcides Schotten, da Methodus. Todos se comunicam, entretanto quem que se comunica melhor pode mais. E para se comunicar de verdade, em termos de marketing, como por exemplo ter conhecimento somente da linguagem de um produto específico? Quem não sabe o todo, nada sabe sobre o específico, é incapaz de relacioná-lo a nada.
A língua é viva e não é feita exclusivamente de regras, mas principalmente de efeitos comunicativos. A depender da situação, temos ou não êxito em nossa comunicação. Um português culto pode fazer sucesso em determinado grupo e ser um fracasso em outro. Imagine conversar no MSN com alguém que fale como um parnasiano! Ou, escrever em linguagem de internet um trabalho acadêmico. E uma situação curiosa: como seria uma receita de bolo em linguagem poética? E a poesia feita de linguagem publicitária?
Ah, muita gente experimentou tudo isso tudo nas últimas décadas. Com tantas vanguardas estéticas, o Século 20 pode ter sido o da experimentação. A nós, hoje, cabe a tarefa de reconhecer esses experimentos e aplicá-los ao nosso dia a dia. Ou seja, (re)conhecemos a linguagem e nos fazemos comunicar.
Quem tem conhecimento de diversas linguagens pode criar a linguagem perfeita para uma marca, por exemplo. Pense na diferença que se dá ao nome de um remédio e a uma loja de informática: no primeiro, a linguagem é pseudo-científica (Dorflex, Aspirina, Novalgina, etc.), porque transmite a idéia de algo feito por farmacêuticos e que se liga a uma tradição científica. Uma loja de informática, por outro lado, como a Power Comp, deve ter um nome ágil, moderno e objetivo. Quem não se comunica se complica, já cantava Elis Regina.
Ao profissional de marketing, enfim, resta a tarefa de conhecer os seus diversos públicos, as diversas possibilidades, e redigir um texto ou criar uma marca que toque o coração de seu público, que este acredite no que lhe é dito. Cada vez mais, portanto, é preciso saber todo tipo de linguagem ao trabalhar com uma única. Podemos não gostar de poesia ou de música sertaneja, mas se não tivermos o conhecimento dessas linguagens não teremos poder. E para provocar e refletirmos: segundo Nietzsche, viver é poder.