Jul 18

O primeiro jornal brasileiro foi o Correio Braziliense, cujo número inicial circulou no País a partir de 1808. O primeiro curso de jornalismo no Brasil foi o da Fundação Cásper Líbero, criado em 1947. A profissão foi regulamentada em 1968, uma das épocas mais duras e de maior repressão da história do Brasil.

Como sabemos, a Ditadura Militar intensificou o controle social político e, no caso de jornais, que eram um dos principais meios de comunicação para se emitir uma opinião, além da MPB (pela sua disseminação), ter controle sobre os jornalistas era fundamental para exercer a sua ideologia. Além disso, seguia uma tendência mundial de burocratização, que também funcionava como controle social em todo o mundo, embora não necessariamente estivesse submetido a uma ditadura militar, como em nosso caso.

Gostaria de, en passant, evocar Michael Foucault, filósofo (embora ele abomine essa determinação, por ter função de controle de suas atividades intelectuais) francês cuja principal reflexão consistia em analisar as “estruturas de poder” em uma sociedade, denunciá-las e desconstruí-las, tanto por uma questão política quanto filosófica (que se completam, claro). Um exemplo clássico dele é a carteira de identidade, que classifica o cidadão, enquadrando-o em uma série de regras a serem obedecidas e um padrão burocrático do indivíduo. “Identificar” o sujeito é poder agir sobre ele, poder aplicar regras e exigir comportamentos. Como punir algum crime se não houve um indivíduo a ser o criminoso?

Voltando ao tema do diploma de jornalismo, é inevitável que esse diploma tome as proporções não só de regulamentar uma profissão (o que é justo, na medida em que garante direitos, embora quase nenhum jornalista tenha respeitados os seus direitos trabalhistas!), mas sobretudo de tolhir a liberdade de expressão. Além do mais, na era em que a Internet permite a publicação livremente de um texto em um blog ou site (o que é importantíssimo), não faz o menor sentido a regulamentação de uma profissão cujo objetivo principal é (ou deveria ser) transmitir a verdade dos fatos para um leitor. Os jornais são tendenciosos, às escondidas, prometendo o contrário (o que é inocente), e a última coisa a garantir a veracidade dos fatos é um curso superior. Ao contrário, apenas a cidadania pode exigi-la.

Com a concorrência dos blogs, por exemplo, um jornal deve(ria) cada vez mais se tornar criterioso caso queira existir em forma de papel, trazendo reportagens apuradas em um texto ao mesmo tempo informativo, rápido e profundo. Pelo contrário, isso cada vez menos é a regra em um grande jornal. Mas também não vem ao caso: evitemos a digressão.

Se o mercado já instituiu que é a qualidade do conteúdo é o fator mais importante para o seu sucesso, qual diferença fará entre uma formação universitária ou não para se exercer a profissão? É o jornal ou a burocracia que deve ser responsável qualidade do conteúdo do jornal?

A vantagem de se cursar uma faculdade de Jornalismo, que sempre continuará a existir, ainda que precise se adaptar às novas mídias cada vez mais rapidamente, é que, além de tomar conhecimento de procedimentos técnicos na composição de um texto jornalístico (há um padrão em todo o texto jornalístico, para facilitar a leitura de pessoas que cada vez menos têm uma boa educação cultural e intelectual), o estudante tem acesso a contatos de pessoas do meio profissional, os quais de outro modo seriam muito mais difícil de se encontrarem. Entretanto, nenhuma Faculdade irá garantir uma boa formação, que deve sempre partir do próprio estudante/profissional.

A obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a função de jornalista durou cerca de quarenta anos. Foi instaurda em um período de ditadura militar, e como tentei argumentar, embora não seja profissional da área (sou assinante de jornal ainda), antes de trazer qualidade a um texto jornalístico tem como função a burocratização e potencial redução da liberdade de expressão, porque restringe a possibilidade de publicação de um texto em jornal e, consequentemente, de que se tenha o melhor “escritor” a trazer a veracidade dos fatos ao público leitor. Além do mais, o que é óbvio, a manutenção do diploma corresponderia principalmente aos interesses das universidades privadas, cada vez maiores gráficas de diplomas.

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